Da série: O Futuro das Transações e do Dinheiro

O Bitcoin oscilou durante o dia de hoje em torno de US$ 9.100 e, considerando a sua variação de US$ 0,01 em 2010 a sua alta histórica de US$ 20.078 em dezembro de 2017, tem se tornado cada vez mais um investimento no mínimo muito interessante. O crescimento durante o ano de 2017 foi de aproximados 1.300% (considerando o valor do final de dezembro), e há quem diga que o Bitcoin é o novo ouro, que o Bitcoin representa o fim do dinheiro como conhecemos, e que a rede blockchain é a revolução do século com potencial para transformar o mundo.

Por que é tão importante aprendermos sobre o Bitcoin? Como ele funciona? Quais são as aplicações possíveis com ele? Qual o limite para o seu valor?

O surgimento da rede blockchain e das criptomoedas, especialmente do Bitcoin, estão entre as mais interessantes narrativas recentes relacionadas a transformação digital, e este artigo inaugura uma série de publicações com o objetivo de compreender porque o Bitcoin e o blockchain são tecnologias tão disruptivas quanto foi a internet nos anos 90, com o potencial de transformar não apenas o mundo das finanças, mas de tudo que conhecemos.

O Bitcoin (sigla BTC) tem sua origem em um artigo publicado no ano de 2008 por Satoshi Nakatomo em uma lista de discussão sobre criptografia, intitulado “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System” (Bitcoin: Um sistema Eletrônico de Pagamentos Ponto-a-Ponto), que propôs uma arquitetura baseada em software livre que permite uma transação financeira entre dois pontos sem a necessidade de um intermediário.

O artigo que deu origem ao Bitcoin foi publicado em 31 de outubro de 2008, ironicamente um mês depois que a maior crise financeira dos Estados Unidos (crise do sub-prime) provocou a falência de uma das mais importantes instituições financeiras daquele país, o banco Lehman Brothers. A crise derrubou gigantes financeiros em diversos países do mundo, caracterizando uma das maiores crises financeiras já vividas pela sociedade desde a quebra da bolsa de Nova Iorque em 1929.

Ao mesmo tempo em que a crise financeira provocou um desmanche de diversas economias em todos os continentes, a moeda digital Bitcoin começou a trilhar um caminho que, somente alguns anos mais tarde, veio a se tornar relevante e despertar a atenção da sociedade, dos governos, das empresas e das instituições financeiras, criando um modelo financeiro, uma moeda, um sistema de transações financeiras descentralizado e sem intermediários, sem um banco central, e não vinculado ao governo de um país.

Ainda que o artigo seminal tenha sido publicado em 2008, os primeiros Bitcoins minerados começaram a surgir no ano seguinte (o conceito de mineração será explicado em uma próxima publicação), e apenas no dia 22 de maio de 2010 ocorreu a primeira transação financeira utilizando Bitcoin. Na ocasião um indivíduo chamado Lazio comprou duas pizzas pelo valor de 10.000 Bitcoins, equivalente na época a US$ 25,00. Em números de hoje, esta transação seria equivalente a US$ 90 milhões de dólares aproximadamente.

Para entender melhor o que está acontecendo, vamos começar fazendo uma distinção entre dois conceitos fundamentais: a rede blockchain, que representa a cadeia de blocos que estão replicados, descentralizados e distribuídos em uma rede formada por milhares de nós de computação (nodes), e que registram de forma simultânea todas as transações realizadas em moedas digitais; e o Bitcoin, que é a própria moeda digital descentralizada, que se utiliza da arquitetura da rede blockchain para registrar as suas transações.

Bitcoin representa para a rede blockchain o que o e-mail representou para a internet no início da década de 1990.

Tratam-se de dois conceitos intimamente ligados, mas é importante entender que o Bitcoin utiliza a rede blockchain como parte da sua arquitetura de funcionamento, enquanto que o conceito de rede blockchain pode ser aplicado em uma infinidade de cenários além das transações financeiras em moedas digitais.

O Bitcoin é um ativo financeiro cujo valor total de mercado é aproximadamente 38 vezes menor do que o ouro, 5 vezes menor do que o valor de mercado da Apple e 25 vezes menor do que o valor disponível em moeda Dólar, mas o que tem chamado a atenção é a velocidade de adoção e de crescimento do Bitcoin em todo mundo.

E, ainda que muitos o chamem de bolha especulativa ou de fraude, não há como negar a escala global que alcançou, a atenção e a tensão que vem gerando no mercado financeiro e no público em geral. Bitcoin e blockchain vieram para ficar, resta saber em que condições!

O suprimento do Bitcoin não é controlado por um órgão central ou pelo governo, mas pelo seu código que define um limite de 21 milhões de Bitcoins que estarão disponíveis no mundo, sendo que destes já foram minerados em torno de 16,8 milhões. Alem disso, enquanto as moedas tradicionais possuem a menor fração equivalente a um centésimo (R$ 0,01, US$ 0,01, etc), o Bitcoin possui a menor fração equivalente a 1 Satoshi (em homenagem ao seu criador), equivalente a 0,00000001 BTC. Trata-se, portanto, de uma moeda com disponibilidade finita e grande potencial de escala.

O crescimento exponencial no preço do Bitcoin ocorreu a partir do final do ano de 2016, representando o amadurecimento do mercado, a estruturação das exchanges (bolsas de operação de Bitcoins) e do interesse do público investidor, especialmente da geração digital que reconheceu nessa moeda uma oportunidade de investimento para médio e longo prazo.

Não há, atualmente, qualquer ativo financeiro no mercado de ações mundial que tenha o volume de movimentação diária do Bitcoin, com liquidez maior até mesmo que as ações da Apple, um das mais líquidas do mundo. As operações com Bitcoins podem ser feitas ininterruptamente, 24 horas por dia e 7 dias por semana, a partir de qualquer computador ou smartphone com acesso a internet.

O Bitcoin demonstra potencial para se posicionar entre os principais ativos financeiros do mundo, com atributos econômicos para suportar esse crescimento: suprimento finito, potencial de uso como moeda de transação, mercado de troca, e está suportado em uma lógica não centralizada, o que lhe confere características únicas que serão exploradas ao longo das próximas publicações. É a manifestação mais pura da relação entre a oferta e a demanda de mercado.

“O lançamento dos contratos futuros de Bitcoin é um sinal de que as criptomoedas estão amadurecendo. Não ficarei surpreso se o valor do Bitcoin alcançar US$ 100 mil antes do final do ano de 2018” (Dave Chapman, da empresa de investimentos Octagon Strategy)

No entanto, a adoção de uma tecnologia tão disruptiva vem acompanhada de controvérsias sobre a sua utilização e sobre a legalidade do seu uso. Há uma série de iniciativas dos governos federais em regulamentar o Bitcoin, a exemplo do Japão que já reconhece o Bitcoin como moeda para transações financeiras no país, ou nos casos da Rússia, Bolívia e o Zimbabwe, que já definiram como ilegal o uso do Bitcoin em suas fronteiras.

O Banco Central do Brasil lançou em novembro de 2017 o Comunicado 31.379, recomendando a não utilização das moedas digitais no país e alertando os investidores para os riscos em realizar transações com estas novas tecnologias.
A CVM (Comissão de Valores Mobiliários), por sua vez, proibiu os fundos de investimentos no Brasil a investirem diretamente em Bitcoins.

“Bitcoin pode entrar em colapso total e ser esquecido, penso que esse é um resultado provável” (Robert Shiller, Prêmio Nobel de Economia em 2013)

Há um debate em curso sobre os benefícios, restrições, riscos, legalidade, potencial e escala das criptomoedas como parte do sistema financeiro global. Há riscos envolvidos, há interesses políticos e econômicos, há grandes grupos consolidados que se sentem ameaçados, há governos e instituições que deixam de recolher impostos sobre as transações, há empreendedores aproveitando o surgimento de novos modelos de negócio, há empresários que apostam em novos métodos para acelerar o recebimento dos seus pagamentos e reduzir custos e taxas, há indivíduos em busca de investimentos melhores para o longo prazo, e há o interesse público em conhecer mais sobre o tema.

Estamos vivendo um momento único na história e um debate que remete à questões técnicas, de segurança, econômicas, filosóficas e financeiras. Certamente os próximos anos serão muito interessantes nessa arena.

E é nesse contexto que inauguro uma série de publicações que visam explorar as controvérsias, compreender a arquitetura destas tecnologias, suas aplicações, o potencial impacto nas organizações e nos governos, bem como disponibilizar informações para o público que tem interesse em conhecer melhor esse mercado, seus riscos e suas potencialidades, seja para compreender novas aplicações, seja para aprender a investir um pouco e não ficar de fora das oportunidades que podem surgir.

Sejam todos bem-vindos a série O Futuro das Transações e do Dinheiro

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